Quando o barato sai caro

Qualquer obra inclui um percentual de perda de material. É normal. Acidentes acontecem, errar é humano. Mas falhas na concepção e na execução alçam o desperdício a categoria de vilão – responsável por até 10% dos custos da construção de uma casa. Aí, o barato sai caro. A solução é investir em um bom projeto, comprar itens de qualidade e monitorar a obra.

Projeto e planejamento

“A fase de projeto é a mais importante para reduzir desperdícios e gastos desnecessários – desde que redunde em soluções técnicas apropriadas, gerenciadas e executadas por mão-de-obra capacitada”, alerta a engenheira Sílvia Maria de Souza Selmo. A lógica é simples. Quanto mais detalhes antes, menos perda depois. Acostumado a gerenciar canteiros, o arquiteto paulista Ararê Sennes lembra que a falta de projeto adequado resulta no “cálculo incorreto de materiais e mão-de-obra, gerando distorções de custos e cronogramas”. E mais. Para Ararê, “os materiais empregados devem ser especificados e quantificados para que a aquisição do lote seja feita de uma única vez, garantindo sua homogeneidade e exata quantidade”. A compra pode ser programada de acordo com o cronograma de trabalho, até mesmo vir em etapas; o fundamental é não ter gente parada por falta de material nem criar novos gastos com frete. “O operário não quer ter sua produtividade prejudicada e, usualmente, pede a mais… assim vai”, fala a engenheira Mércia Maria Semensato Bottura de Barros, também da Escola Politécnica. Não ter um projeto acarreta ainda erros de execução de medidas e detalhes. “Isso gera quebras e remendos não planejados e custos indiretos”, diz Ararê.

Mão-de-obra

A engenheira Cleide Santos, da CVS Projetos e Obras, de Barueri, SP, acha que o desperdício resulta em grande parte da formação ruim da mão-de-obra e de maus hábitos. “Um exemplo é o pedreiro que assenta blocos e não usa a argamassa que cai no chão – ela fica ali, seca e vai para o entulho.” E sugere: “O ideal seria o treinamento e a educação dos profissionais, que muitas vezes aprendem nas próprias obras com outros profissionais, já viciados nos costumes”. Um dos trunfos para diminuir a perda de material é empregar trabalhadores conscienciosos. Procure referências sobre o desempenho de cada um em obras anteriores. Deixavam a obra limpa? Desperdiçavam material? Mantinham tudo organizado? E, se possível, procure pessoal capacitado, que passou por algum centro de treinamento. Ali, a cultura do desperdício encontra um forte oponente.

Materiais

Após os básicos, que chegam prontos (caso dos blocos), os campeões são os moldados na obra – argamassa e gesso. Essa dupla responde por grandes perdas no canteiro e requer uma instrução: orientar a mão-de-obra a só produzir aquilo que de fato será utilizado no mesmo dia. Areia, cimento e cal parecem escoar pelos dedos se forem armazenados de modo incorreto (levados pela chuva, danificados pela umidade) ou se usados incorretamente. Somados a tijolos e blocos, respondem por boa parte das perdas físicas, do entulho e do gasto incorporado. Devido ao preço menor, porém, dão menos ônus financeiro do que materiais mais nobres. Cerâmica costuma ser outra fonte de desperdício, e uma tendência atual aumenta o problema – as placas estão maiores. Dos tradicionais azulejos de 15 x 15 cm chegamos aos de 60 x 60 cm. Ter de recortar peças é uma fonte potencial de perda – ainda mais quando elas cresceram e encareceram. Sem planejamento, a perda por cortes chega a 50%. Vale lembrar ainda que há itens sujeitos a perdas simplesmente por serem empregados sem observar seu tamanho-padrão. É o caso do ferro, disponível em barras de 12 m de comprimento. Se a obra prevê pilares de 3 m, não gera sobra.

Inimigo oculto – Rebocos e Lajes

Invisível e pouco conhecido, o desperdício de materiais incorporados a obra é duas vezes maior do que a perda comum, materializada, por exemplo, no entulho gerado. A proporção é dois terços no primeiro contra um terço no segundo, de acordo com estudo coordenado pelo engenheiro Ubiraci Espinelli Lemes de Souza. Onde ele se esconde? Em pilares, lajes, emboços e rebocos maiores e mais grossos do que o necessário – pontos nos quais vale a pena prestar atenção. O resultado numérico é relevante: a “sobreespessura” representou cerca de 80% da perda encontrada, conforme dados da pesquisa. Essa perda, ou o consumo excessivo, de material tem raiz em diferentes fases da obra: concepção, execução ou utilização. “Uma construção que começa com erros básicos de níveis e prumos acarreta desperdício de contrapisos e rebocos para correção dos pisos e paredes”, diz o arquiteto Ararê.

Canteiro organizado

Um local de trabalho bagunçado é parceiro fiel do desperdício. Os blocos começam a ser despejados na calçada, alguns se quebram. São depois transportados a uma área de armazenamento e então seguem para a obra. Isso ajuda a explicar por que há uma perda média de 13% de blocos e tijolos (chegando a incríveis 48%). “Quanto mais se mexe, mais quebras ocorrem”, diz o engenheiro Ubiraci. Duas lições valem sempre: limpeza e arrumação. Quanto mais organizado o canteiro, menor a chance de perda de material. O básico é mantê-lo preservado de furtos, intempéries, riscos de acidentes, e em local de fácil acesso. Se vários profissionais trabalham ao mesmo tempo – pedreiro, encanador, assentador -, a obra tem de oferecer meios físicos para um não atrapalhar o outro. Furto. Essa maneira desagradável de perder material ocorre em obras pequenas e até em grandes construções. Canteiros reduzidos, onde nem sempre há espaço para guardar as compras, sofrem mais com isso. Deixar os produtos na rua pode provocar furtos, além de multas da prefeitura (caso atravanquem a passagem). O ideal é ter o muro pronto o mais cedo possível – ou então uma estrutura temporária, mas resistente, como um pequeno galpão trancado a cadeado. Se a empreitada é de grande dimensão e há materiais nobres, contrate um zelador ou um segurança para tomar conta do lugar. Transporte inadequado. Trata-se de qualquer forma de entrega dos materiais que os danifique ou os inutilize. Por exemplo, quebra de blocos e tijolos pelo caminho, areia e pedras espalhadas pela rua. A providência é simples: prefira um fornecedor de confiança, confira se utiliza caminhão apropriado e avalie o estado do material na hora da entrega. Cuidado também com o carrinho de pedreiro: mal preparado, pode criar uma trilha de blocos quebrados do local até a obra.

Perdas de tijolos vão de 1% a inacreditáveis 48%.

Furto

Essa maneira desagradável de perder material ocorre em obras pequenas e até em grandes construções. Canteiros reduzidos, onde nem sempre há espaço para guardar as compras, sofrem mais com isso. Deixar os produtos na rua pode provocar furtos, além de multas da prefeitura (caso atravanquem a passagem). O ideal é ter o muro pronto o mais cedo possível – ou então uma estrutura temporária, mas resistente, como um pequeno galpão trancado a cadeado. Se a empreitada é de grande dimensão e há materiais nobres, contrate um zelador ou um segurança para tomar conta do lugar.

Transporte inadequado

Trata-se de qualquer forma de entrega dos materiais que os danifique ou os inutilize. Por exemplo, quebra de blocos e tijolos pelo caminho, areia e pedras espalhadas pela rua. A providência é simples: prefira um fornecedor de confiança, confira se utiliza caminhão apropriado e avalie o estado do material na hora da entrega. Cuidado também com o carrinho de pedreiro: mal preparado, pode criar uma trilha de blocos quebrados do local até a obra.

Estimado como razoável entre 5 e 10%, o desperdício de revestimento cerâmico chega a 50%.

Fonte: http://casa.abril.com.br/materia/na-trilha-do-desperdicio

No mais sempre converse com o seu pedreiro e peça ao mesmo para evitar o máximo o desperdício de material.

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Profissão Pedreiro um pouco de história…

13 de Dezembro
Ofício do Pedreiro

Na antiguidade, no mundo árabe, chamava-se alvanel aquele que levantava alvenarias de pedras, tijolos ou outros materiais.

A denominação pedreiro vem do latim petrarium, relativo às pedras. Trata-se do oficial que trabalha elevando paredes em pedras, tijolos ou outros materiais como o concreto na modernidade. O termo pedreiro-de-mão-cheia refere-se ao oficial que executava paredes de taipa-de-mão, ou de sebe (a casa de taipa), enchendo com as mãos nuas os trançados de pau a pique com o barro.

O pedreiro é o oficial que, além de fazer a elevação das paredes, aplica as argamassas de revestimentos (rebocos) nas paredes.

Leia a matéria na íntegra no http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/dezembro/dia-do-pedreiro.php